Meus Textos

SOBRE CRISTÃOS E PEQUIS
Texto: Ramon Goulart - 18 março de 2012



Neste feriado de carnaval viajei para a casa da minha avó, que completara 90 anos de idade. Aproveitei a oportunidade para rever meus tios e primos. Estando lá, meu pai logo me fez um convite: - Vamos buscar Pequi? Respondi que sim, e logo depois do almoço, juntamos as crianças e fomos em dois carros para o mato, catar Pequi.

Para quem não sabe, o Pequi é também chamado de  “ouro do sertão”, dá na caatinga e é muito conhecido no interior de Minas Gerais, Goiás, e também na Bahia. Meu pai sempre fala: “ou a pessoa gosta de pequi ou não gosta!” Isto porque ele tem um cheiro muito peculiar. Um cheiro inebriante! Para quem não o conhece, ele fica dentro de um fruto meio redondo, parecido com o abacate. Só que um pouco menor. Ao se abrir, o Pequi, amarelinho está lá dentro. Alguns com mais de 5 unidades, dependendo muito do tamanho da casca. E é incrível, porque mesmo ele estando lá dentro e fechado; enclausurado, você sente o cheiro dele.
Ao ter contato com ele em diversas situações, o vi como uma analogia do cristão. Isto mesmo! Meu carro transportou-os até a casa da minha avó. Foram colocados em uma sacola, e depois a sacola dentro de outra... Mas o cheiro... continuava! Meu carro só cheirava Pequi! Chegamos em Belo Horizonte, e os preparamos para congelá-los. E a surpresa: mesmo congelado, ele cheira! E como cheira!
Nada o impede de exalar o seu odor, independente de como o embalamos, se é preso, se em sacolas, ou mesmo congelado. Seu cheiro continua!
A Bíblia fala sobre sermos o bom perfume de Cristo! Imagino que a aplicação desta verdade seja a mesma a respeito do Pequi. Exale o bom cheiro de Cristo, independente da situação. Mesmo se for no frio, ou no calor, na prisão ou exposto ao vento, não perca suas propriedades e simplesmente exale o bom perfume de Cristo. Sei que alguns poderão não gostar do Pequi e do seu cheiro, mas uma coisa é certa, ele é muito cheiroso! E como ele, devemos exalar o bom perfume de Cristo.
“Porque para Deus somos o BOM PERFUME DE CRISTO entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo.” 2º Coríntios  2:15




A SUPREMA EMBALAGEM
Arte, Foto e Texto: Ramon Goulart

Não há como negar! Presentes só têm graça, quando vêm embalados. E não adianta tentar pensar ao contrário, porque o prazer está exatamente em descobrir, abrir o presente. Que graça teria se não houvesse a surpresa?! É para isto que existe o próprio material que se embrulha. Deram-lhe o nome de «papel de presente.»
É de se encher os olhos quando nesta época de Natal vemos árvores cheias de presentes, todos embrulhados. Aquela porção de cores, brilhos e formatos. Nossos olhos olham, e somos aguçados a querer rasgar o papel para saber o que há lá dentro. Não percebemos, mas é a mesma coisa que brincar de pegador de esconder. A graça está exatamente porque existe algo por baixo do papel encoberto, algo que precisa ser definitivamente descoberto! Como é prazeroso rasgar o papel! É um prazer incrível! Rasgando-o e descobrindo o que não se conhecia. É o desvendar do mistério. Ver o que não se via.
E foi pensando sobre isto que me veio a mente o que recebemos gratuitamente: «A Suprema Embalagem.» Ora, e não é isto o Natal? O Deus eterno, o verbo, o filho unigênito de Deus se encarnando, se embalando, se revestindo da Suprema Embalagem que foi o corpo. Corpo este, que como o papel de presente traria a possibilidade de vermos o que antes não se podia ver. Bem disse Jesus: “Quem vê a mim, vê ao Pai.” João 14:9. Corpo que como o papel de presente precisaria ser rasgado, moído, para que o presente fosse recebido. O presente da Salvação.
A salvação é pela graça, mas para Deus ela não saiu de graça. Houve um alto preço! Preço de se embalar em um corpo humano, limitado no tempo e no espaço. Preço de viver no meio dos pecadores. Preço de ser moído, ser literalmente rasgado, tendo seu fim no madeiro.  Não haveria salvação se ele não tivesse se encarnado. Não haveria perdão se ele não tivesse se humilhado e se dado a nós como «A Suprema Embalagem», cujo conteúdo era nada mais e nada menos que ser o Eu Sou, ser Deus! Feliz Natal!
«Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.» João 3:16 (NVI)

Ramon Goulart - 23 de dezembro de 2010





CAVALOS COM VISEIRAS
Por Ramon Goulart


Eu andava meio apressado e pensando em várias coisas. Olhava aqui, ali, acolá... Gosto muito de olhar as coisas, ruas, carros, pessoas, pássaros em cima de postes como seres exilados em própria terra. Acho que até devem pensar: será aqui mesmo o mesmo lugar de que eu vim morar a alguns anos quando meus ancestrais diziam ser verdinho e sem poluição?... Pois bem, foi neste dia que vi algo que sinceramente, me fez rir. Sei que muitos quando lerem isto, irão pensar: - cara debochado. Cara crítico... Assim antes mesmo de que falem algo por aí, já lhes digo que não estou nem aí. Existem verdades que tem de serem ditas (realmente) como bem disse Rubem Alves, em meio aos bufões, em meio as risadas.

No momento eu não estava pensando em nada concernente ao assunto que brotou em minha mente. Porém vendo aquela cena, do vazio brotou o inesperado de que lhe escrevo agora.

E como brotou.
A cena que vi, durou alguns segundos de tempo, mas seu efeito tem percorrido já dias em mim. Um homem sentando em cima de uma charrete, puxada por um cavalo. A charrete era um pouco velha e usada, o homem era de aparência bem pobre. Deveria estar levando ferro velho, como já vi muitos lá em Minas Gerais (ah terra linda...). Foi neste instante que olhei novamente para o cavalo. Era de cor marrom, fortes pernas, pescoço longo e na cara... uma grande viseira. Não deu outra. Lasquei uma risada, que quem me viu na hora deve ter pensado: - coitado, tão novinho, e já tão pra lá de Bagdá, tão maluco... Não me importo. Tenho aprendido a viver e ver como são as coisas. Nossos olhos são doentes. São procuradores das coisas que a Mídia os têm guiado e ensinado. É tanto que os nossos jovens e adolescentes não sabem olhar nem mesmo um entardecer, uma lua cheia, ou coisa semelhante: falam que é caretice.

Após a risada, dei mais uma olhada para a cara daquele alienado cavalo. Procurei olhar em seus olhos para ele ver que eu o estava vendo. Foi tudo em não consegui nada. E lá se ia o homem da charrete com o seu cavalo dentro da viseira, da visão...

Pois é. E fiquei a pensar nesta realidade de que muitos homens e mulheres tem feito com os seus membros como foi feito com aquele cavalo que tem força, e vitalidade, mas não podem ver além... foi lhe colocado viseiras, para ele estar dentro da visão. Infelizmente, desde que comecei a estudar a História da Igreja, tenho observado isto. A analogia não poderia ser mais perfeita.

Os líderes dominam. Eles precisam de produção, de resultados, de números que eles possam mostrar para outros e dizer como prova: Viu? As coisas estão indo de vento em popa... O modelo tecnocrático a muito tempo já entrou nas igrejas, pasmem, até históricas...
As igrejas, como o mercado faz, precisam de resultados, de números. Não importam os sacrifícios, as técnicas, os meios... Os fins precisam ser tornar reais. E diante disto tenho de ampliar o que Karl Marx viu: Agora, não só o trabalho está desumanizando o homem. A igreja também o está! E todo sacrifício é válido para se conseguir o que se quer.

Sabe-se porém que no fundo desta piscina de acontecimentos, o que vemos é o de sempre... riqueza, dinheiro, posição... PODER.
È bem sabido que quando Deus criou o homem, em sua imensa sabedoria, o criou diferentemente dos animais que tem “doses” de poder e de desejo iguais. Ao homem foi dado um desejo muito maior do que o seu poder... Enquanto o homem estava com Deus, este desejo, ou apetite era satisfeito em Deus, tanto que não vemos no Jardim do Éden nenhum surto de necessidade, ou crise. Só que ao homem escolher viver IN-dependente, escolheu também não ter o que saciar este desejo que só poderia ser saciado em Deus. Eis aí um questão de grande importância e primordial para nós pensarmos em meio a uma sociedade tão consumista ou mais do que o Rei Salomão o foi...

Dessa forma, o homem procura meios para saciar este seu desejo, que como lhes falei, foi dado por Deus em sua imensa sabedoria. Ele tenta: materialismo, individualismo, consumismo, culto ao corpo, desvios de conduta sexual, vícios, busca de Riquezas... porém como não foi lhe dado poder suficiente para saciar este desejo, nada dá certo.

O mundo já estava enganado... agora parece que a Igreja que tem aquilo que o mundo precisa, também quer se enganar. Parece que todos estão sucumbindo aos tentações. Se não fosse assim, pra que sacrificar as pessoas para alcançar PODER maior? Pare e pense. Não, é sério! Pense! Há muito tempo as Igrejas ofereciam Deus. (O nome do nosso maior Desejo...) Agora, hoje, a coisa é diferente. Está ao contrário: É Deus quem dará  aquilo que você está precisando. Mas isto é contraditório, já que acabamos de ver que o que precisamos não está aqui, está NELE. Na verdade È ELE.

Estamos diante do maior dilema já proposto pelo homem em sua história, pois agora ao invés dele buscar qualquer coisa que o satisfaça (o que é o normal mais errado durante a história), ele olha para Deus e diz: - Ei! Eu preciso disto. Ei, Me dê aquilo...
Que coisa não? Aquele que é o único que poderia satisfazer o homem, está sendo visto como mais um meio para obtenção dos caprichos das vaidades dos homens. Ele está sendo vendido, está sendo manuseado como se fosse uma mercadoria. Absurdo!! Incoerência...

Volto agora com você leitor, para a cena do homem da charrete. Vejo o que as pessoas na igreja tem sido. Que me desculpem os irmãos mas esta cena descreve com exatidão o que estão fazendo e o que nós estamos deixando que nos façam: Cavalos que  só servem pra puxar a charrete (a igreja). E diante disto não preciso nem falar quem são os condutores das charretes, preciso?...

E sabe como foi feito para que as pessoas fortes puxem sem falar nada? É simples. Foi lhes colocado uma viseira. À viseira eu atribuo todo o meio que os charreteiros tem usado para conseguir que a Igreja encha... - ou melhor: incha... – Todo meio que não condiz com a palavra de Deus: A Bíblia. Coloca-se a viseira. E depois falam: - Ah! Esta é a nossa visão.
E já que é a nossa visão,  todos tem de estar nela, ou como já disse, tem de estar dentro da viseira. Só que é preciso observar que viseiras não são para pessoas. São para animais... E me pego no pensamento de que talvez, e bem talvez, os animais estejam olhando para nós e em suas conversas estejam falando: - Vejam só que coisa interessante.  Eles estão usando viseiras que somente são usadas por animais irracionais...

Há muito que as pessoas pensam em sua fé (doutrinas) e nas ações de sua fé no dia a dia. Já estão não visão, dentro das viseiras. Não pensam. Apenas fazem, apenas puxam a charrete sem saber para aonde vão, nem porque estão fazendo, como estão fazendo. De certo é capaz de nem saberem aonde eles estão...

Virou moda. E tudo o que vira moda, vai para  a mídia, é divulgado e vira padrão, e se virou padrão deve  ser copiado sem discursão. E canso de escutar: - Nós estamos na visão. Ao que eu penso com um sorrisinho no canto direito da boca. É estão mesmo... todos de viseiras que não tem nada de bíblica.

Infelizmente eu não podia tirar a viseira daquele pobre cavalo alienado. Na certa o seu dono iria me processar e  briga seria feia pra meu lado. Mas resolvi, tentar tirar as viseiras que estão sendo colocadas nas pessoas em várias Igrejas com esses movimentos que mais alienam do que centralizam as pessoas em Cristo. Sem viseira é sabido que os olhos correm livres soltos... e começam a ver coisas que eles não sabiam que existiam. Com viseiras, todos caminham como robôs. Não pensam, não falam, somente obedecem, não há liberdade. A escravidão reina, mascarada é claro, porém é sentida na pele daqueles que estão ainda hoje com as viseiras do G12 e outros movimentos nos olhos...

Tirei suas viseiras...
Espero que você não se assuste. Seus olhos percorrem o mundo, a Bíblia.
Meu Deus (você pensa) como o cristianismo é diferente de tudo o que me mostravam!
Sim eu sei...
Sem viseiras tem-se a prática do sacerdócio universal. A Bíblia tem de ser a autoridade final e não as viseiras, as visões...

Tirei suas viseiras...
Você está feliz agora. Mas também um pouco assustado.
Nesse meio tempo, escutamos um barulho grande.
Parece ser de muitos cavalos.
E de longe você e eu vemos a dura realidade: ainda existem muitas viseiras a serem tiradas. O trabalho está apenas começando...




O PATINHO FEIO E O ESPELHO
Ramon Goulart

Existia num certo bosque, uma família de Patos. Esta família estava eufórica, já que dentre alguns dias ela iria aumentar de tamanho: daqueles ovos nasceriam os filhotinhos do Papai-pato e da Mamãe-pato. De tanto esperarem, já todos até vesgos. Só olhavam para o mesmo lugar. Coisa parecida acontece com a maioria das pessoas, só vê uma coisa. Está bitolada, não amplia os horizontes, não olha as coisas além...
O tempo mesmo se arrastando, passou. E qual não foi a grande surpresa quando o casal de patos ao olhar para um dos ovos já quebrado percebeu a esquisitice daquele patinho. Todos comentavam. Até as gramas do jardim. Conta-se até que toda as vezes que o Papai e Mamãe pato iam sair com seus filhotes, eles já se perguntavam em sorrisos sarcásticos: - E o Patinho, veio? E esta frase ser repetia tanto, que os que ouviam eles conversando não entendiam a última palavra direito e por entenderem que da pergunta "veio?" era "Feio?", começaram a chamá-lo de Feio.
"E o patinho Feio?" perguntavam. E foi assim que ele passou a ser conhecido nos contos de O Patinho Feio.
Ele era triste. E não se valorizava. Se via da forma (fôrma) como os outros o viam. Tinha muitos adjetivos, muitas qualidades, porém, ninguém os via. Já estava rotulado, e coisas rotuladas só servem para ser olhadas e vendidas de conformidade com o seu rótulo.
Novamente, o tempo passou. Devagarzinho, passou... Um dia, aquele Patinho feio, já estava adulto. Resolveu sair para caminhar (é sempre nas caminhadas que as coisas acontecem. Afinal não era isso que Deus e Adão faziam. E o tempo ficava alegre, ficava mais solto, mais alegre) e encontrou um espelho... Mas, jamais em tempo algum ele teria coragem de se olhar naquele espelho.
Ele caminhava... Caminhou muito tempo com aquele espelho na mão. Até que um dia ele resolveu olhar. Ele olhou e viu... Ficou assustado. Uma lágrima começou a rolar pelo canto direito do olho, enquanto ele a sentia percorrer seu rosto. Então ele olhou novamente, não era possível! Ele realmente se via: Era um Cisne. Um belo Cisne verde com listras pretas e pratas.
Más de repente algo aconteceu. E ele se assustou. O travesseiro estava molhado...
Era um sonho... Tinha sido um sonho...
O espelho não era espelho: era uma Bíblia.
E o Patinho, não era mais feio, e nem mais um Cisne: O Patinho era Eu.


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O INIMAGINÁVEL CHEGOU ATÉ NÓS
Ramon Goulart – agosto 2011

(A História que se segue é FICTÍCIA)

Foi diante de alguns exames de rotina que se constatou o meu estado grave de saúde.
O médico foi direto comigo e minha família: - Bom, não temos outra escolha a não ser optar por um procedimento cirúrgico na cabeça, o tumor está grande e não temos outra opção.
Minha barriga esfriou na hora. Cirurgia na cabeça, a principal e mais vital parte do corpo? Meu Deus tenha misericórdia.

Enfim chegou o dia. Meus familiares estavam comigo, já tinha recebido várias mensagens de conforto, e-mails, cutucões pelo Facebook... Eu estava confiante. Orei ao Senhor.
Fui internado em um grande e belo hospital. Tudo pronto, e eu já estava de cabeça raspada para a cirurgia.  Foi quando ao entrar no bloco fui apresentado ao “doutor” que iria realizar aquela cirurgia.
Eu entrei em desespero e perguntei:
- Ei, mas cadê o médico?
 Ao que ele me respondeu:
- Ué, eu é quem vai fazer o procedimento cirúrgico.
Sem entender nada e começando a achar que era alguma pegadinha indaguei:
- Mas você não tem formação em medicina! Você é meu colega. Tem a minha idade! Já fomos em acampamentos juntos, tirarmos carteira no mesmo ano... Como assim? Você deve estar zuando né?
Minha voz começava a mostrar o meu desespero.
- Não, não é pegadinha não. E fique tranquilo. Bem pessoal, vamos começar.
- Não, por favor, esperem! Vocês estão loucos!  Ai meu Deus!


Não aceitamos pessoas realizando funções para as quais não estudaram. Isto é algo óbvio.  Esta estória evoca e provoca este sentimento em nós.
Imagine um homem sem formação para pilotar um Air-Bus.
Uma paisagista que só brincou de plantar horta na casa da avó, para fazer o projeto urbanístico da praça de seu bairro.
Ou mesmo, um moço colocado à frente de um batalhão como tenente sem nunca ter passado pelo exército.
Isto não é aceitável.
Então porque hoje em dia se colocam pessoas sem estudo, sem formação e sem vocação para subir aos púlpitos de nossas igrejas? Utilizando algo mais cortante que o bisturi mais afiado: A bíblia. Fazendo o procedimento mais arriscado e mais delicado que uma cirurgia na cabeça: Pregar o evangelho.
Mesmo que eu seja chamado de radical, mesmo que todos não concordem. Se uma pessoa que não é médica não pode fazer um procedimento tão sério quanto a cirurgia, muito menos uma pessoa que não é vocacionada e não tem formação, não deve subir ao púlpito de nossas igrejas para pregar. Paulo já deu o conselho a respeito dos líderes “...não neófito, para que não se ensoberbeça 2 Timóteo 3:6
Que Deus nos ajude.




 QUANTO VALE UM PASTOR?

“O Senhor é o meu Pastor...” Salmo 23:1ª
“Eu sou o bom pastor, o bom pastor dá a vida pelas ovelhas”. João 10:11

Era tarde, o sol já se escondia por entre as montanhas. O pastor já cansado depois de um dia inteiro de trabalho, contava as últimas ovelhas. O aprisco estava cheio.  Constante, e sempre cuidadoso, ele contava. Uma a uma. Chamando-as cada uma pelo nome. - Vamos branca, entre! Bom 97. Malhad! – Ele exclamou – sua vez. Hum 98. Risada? Cadê vc? Ah está aí. Sim 99...  Pérola? Pérola? oh Deus. Falta uma. Ele exclamou num tom triste. E após recontá-las todas, o Pastor saiu em busca da ovelha perdida. Saiu em busca da Pérola. A imagem de um Pastor era facilmente reconhecida pelos montes e estradas em Israel. Ele com sua vara e seu cajado. Sempre a conversar com elas. Instruí-las no caminho por onde devem andar. Como é sabido por alguns, as ovelhas não vêem bem. Na verdade praticamente elas não enxergam, dependendo única e exclusivamente de sua audição.  Os rebanhos de ovelhas ficavam todos misturados e ainda hoje é assim. E era somente o Pastor de determinado rebanho chamar, que iam saindo do meio as suas ovelhas.  A relação do Pastor e das ovelhas era e é uma relação de falar e ouvir. Elas ouvem a voz e o seguem. O Pastor conversava com as ovelhas. Falava com elas. Ele mantinha uma estreita relação de carinho e cuidado, visto que  aonde ele as levasse elas iriam. A responsabilidade por todo o rebanho era dele. E o seu trabalho não se limitava em apenas guiá-las a verdes pastos ou águas tranqüilas. Mas também e protegê-las cada uma, tanto de dia quanto de noite no aprisco. Fora isto, era necessário retirar os carrapichos de uma por uma e cuidar dos seus ferimentos.  E não obstante, não eram rara as vezes que alguma se desgarrava... Fazendo com que o Pastor fosse atrás dela. Não importava o tempo que levasse.
Reconheço que os tempos pós-modernos fazem com que cada vez mais as pessoas sejam  individualistas. São cada vez mais solitárias, cada vez mais autônomas e menos receptíveis ao cuidado do Pastor.  É fato que o Pastorado mudou e tem mudado tentando se fazer válido. Muitos não se sentem à vontade com a “intromissão” de Pastores. Esta é uma das dificuldades que vejo hoje.  Homens e Mulheres que cuidam, que limpam, que falam, ensinam, que dão suas vidas, independente das circunstâncias são cada vez mais raros. Hoje não existem apenas o perigo de lobos, que cercam os apricos. Já que em muitos apricos os lobos estão vestidos de pastores... Foi diante deste árduo trabalho, que a cada dia está mais fora de moda, que me veio a mente esta história citada acima. O Bom Pastor ama, cuida e resgata suas ovelhas. Quanto vale um Pastor? Pergunta que quero deixar a todos neste dia. Pergunta que quero  que se lembrem ao ouvir um sermão, ou uma oração, ou mesmo um exortação... Quanto vale homens e mulheres fiéis a Cristo o supremo Pastor, e a sua palavra?
Quanto vale um Pastor? Só dá pra responder desta forma.
- Vara e Cajado: R$ 990,00 no cartão de crédito Master-Card.
- Aprico completo com espaço para 100 ovelhas: R$ 5.000,00 no cartão de crédito Master-card.
- Um Pastor? Não tem preço!

Texto:  Ramon Goulart