Friday, December 31, 2010

Feliz Ano Novo!


Este é o meu Desejo neste ano que se finda. Obrigado a todos pelo carinho! Paz e arte
Ramon Goulart

Monday, December 27, 2010

A SUPREMA EMBALAGEM

Não há como negar! Presentes só têm graça, quando vêm embalados. E não adianta tentar pensar ao contrário, porque o prazer está exatamente em descobrir, abrir o presente. Que graça teria se não houvesse a surpresa?! É para isto que existe o próprio material que se embrulha. Deram-lhe o nome de «papel de presente.»
É de se encher os olhos quando nesta época de Natal vemos árvores cheias de presentes, todos embrulhados. Aquela porção de cores, brilhos e formatos. Nossos olhos olham, e somos aguçados a querer rasgar o papel para saber o que há lá dentro. Não percebemos, mas é a mesma coisa que brincar de pegador de esconder. A graça está exatamente porque existe algo por baixo do papel encoberto, algo que precisa ser definitivamente descoberto! Como é prazeroso rasgar o papel! É um prazer incrível! Rasgando-o e descobrindo o que não se conhecia. É o desvendar do mistério. Ver o que não se via.
E foi pensando sobre isto que me veio a mente o que recebemos gratuitamente: «A Suprema Embalagem.» Ora, e não é isto o Natal? O Deus eterno, o verbo, o filho unigênito de Deus se encarnando, se embalando, se revestindo da Suprema Embalagem que foi o corpo. Corpo este, que como o papel de presente traria a possibilidade de vermos o que antes não se podia ver. Bem disse Jesus: “Quem vê a mim, vê ao Pai.” João 14:9. Corpo que como o papel de presente precisaria ser rasgado, moído, para que o presente fosse recebido. O presente da Salvação.
A salvação é pela graça, mas para Deus ela não saiu de graça. Houve um alto preço! Preço de se embalar em um corpo humano, limitado no tempo e no espaço. Preço de viver no meio dos pecadores. Preço de ser moído, ser literalmente rasgado, tendo seu fim no madeiro.  Não haveria salvação se ele não tivesse se encarnado. Não haveria perdão se ele não tivesse se humilhado e se dado a nós como «A Suprema Embalagem», cujo conteúdo era nada mais e nada menos que ser o Eu Sou, ser Deus! Feliz Natal!
«Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.» João 3:16 (NVI)

Ramon Goulart - 23 de dezembro de 2010

Monday, December 13, 2010

Pálpebras

Concordo com Rubem Alves no livro Pai Nosso. Ele fala que os pensamentos são como bolhas que emergem. Estavam lá. E simplesmente sobem... Foi assim, que alguns dias atrás, veio em minha mente a imagem da pálpebra. Eu me servia em casa, durante o almoço. Aquela cena delas de fechando e bloqueando a luz. Senti-me meio doido. Novamente, fechei os olhos, agora conscientemente. Só para ver o que acontece. Ver o fim da luz. Ver no nada...
Fiquei a pensar como seria a vida sem elas. Tenho um peixe, o nome dele é João Doidão. Na verdade não é meu, é do meu filho, Lutero. Mas, como gostamos de falar, ele é da família. Fico olhando pra ele. Morro de rir. Ele parado lá, dormindo. E de olhos bem abertos. Sempre abertos. rs
Não sei como seria nossa vida sem pálpebras. Meu Deus que loucura! Já pensou sobre isto? Elas são compostas de duas pregas móveis. A superior e a inferior.
Elas me fizeram perceber algo: que se é preciso um fim. O fim é sempre necessário. Como uma pausa no som, assim são elas. Pausam as imagens. Bloqueiam a luz para o descanso. Porque no descanso se é necessário que tudo pare, inclusive a luz.
No almoço, esta pausa tem até nome: hora da ciesta! Nos filmes, a hora da pausa é o fim. O The End. Na vida, a pausa tem dois momentos únicos. O primeiro é o dormir. O segundo e o que mais traz medo é  a morte. Existem pessoas que tem medo de dormir e não abrir mais os olhos. E curiosamente, já vi em muitos filmes a cena de uma pessoa viva fechando os olhos de uma pessoa que acabara de morrer.
Se é preciso fechar os olhos, para que as imagens parem. Na vida também é preciso que a pausa da morte entre em nosso “play”. Um dia, como o fechar dos olhos, as coisas mudarão. Uma notícia de uma doença, um acidente. E tudo mudará. A bíblia descreve a segunda vinda de Cristo, num ABRIR  E FECHAR de olhos (de pálpebras)!
Como já disse o poeta, quem tem a morte como companheira, vê a vida mais bela. Vive e não somente existe, nas palavras de Oscar Wilde, se não me engano.
Meus olhos já estão pesados...
Um profundo sentimento de pausa toma conta de mim.
Uma pausa maior que quatro tempos...
Fecham minhas pálpebras: é tempo deste texto acabar.
Ramon Goulart – 13/12/10 – Bhte/MG