Tuesday, December 05, 2006

VOZES

Vozes.
Ricardo Gondim

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz”. – Jesus de Nazaré.

Há muito meus ouvidos se fizeram surdos; não distingo o imperceptível som de tua voz.
Peço-te que só mais uma vez fales “Efatá” e se abrirão os meus ouvidos.
Quero ouvir teu chamado para seguir a imponderável senda dos profetasque mesmo debaixo de chuva de granizo, defendem a viúva e o órfão.
Quero saber ouvir tua voz de dentro das delegacias sujas, dos manicômios de muros altos das enfermarias esquecidas.
Quero ouvir teu lamento sobre as nações que rejeitam os pacificadores, que apedrejam os esfomeados de justiça, que se esquecem de abrigar o estrangeiro.
Quero ouvir teus conselhos sobre os perigos da riqueza, sobre os religiosos que guardam a letra como ortodoxolatria, sobre a estupidez de ganhar o mundo e deixar a alma entrevada.
Quero ouvir tuas histórias sobre aquele homem bondoso com um desconhecido caído na calçada sobre aquele Pai que esperava no alpendre seu filho cansado da orgia, sobre aquele anfitrião que catou os menos nobres para seu banquete.
Quero ouvir tua advertência de que teus filhos não são poupados das inclemências do mundo, não desceste para estar conosco numa redoma.
Quero ouvir tua promessa de que estarás ao nosso lado em toda circunstância até que tudo termine, de que enviarás teu Espírito que seráum leal conselheiros na verdade.
Quero ouvir teu sussurro me confortando de que falta muito pouco para festejarmos numa grande festa para dançar e beber vinho de qualidade.
Se tuas ovelhas percebem tua voz, quero, mais do que tudo, que fales e responderei: Teu Servo ouve.


Soli Deo Gloria.

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