Sunday, April 16, 2006

Artigo - É preto no branco

É PRETO NO BRANCO
Ramon Goulart – Primeiro semestre de 2005

Talvez você já esteja armado (a), pensando que esta crônica é uma homenagem ao galo (Atlético Mineiro que anda tão mal das pernas... alimentem o bicho minha gente!). Não. Não é. E não se preocupe pois também nem é sobre as Zebras. Aqueles “burrinhos” que mais parecem presidiários da natureza.... (risos). Apesar de nos darem um bom símbolo sobre o que gostaria de falar com você.

Qual a cara do Brasil? Pergunta difícil, e muito complicada pra responder assim de supetão. Tudo bem, mudo um pouco: quais as coisas que apresentam e representam o Brasil aqui e lá nos outros países?

Carnaval, mulheres, a música com seus diversos ritmos e harmonias, Futebol, comidas, nossas belezas naturais, nossa alegria, nosso jeitinho, nosso talento.

Como um pintor que pinta o quadro com diversas cores, vejo assim em cada uma destas caras ou características as nossas cores. Tão vívidas, tão belas e infelizmente tão desprezadas! Recentemente, conheci um site de um tal de Walker Evans; ele tem uma frase que parece ser o dogma, a filosofia inconsciente da grande maioria dos cristãos e principalmente teólogos brasileiros.

“São quatro palavras simples que devem ser sussurradas: fotografia colorida é vulgar.”

O que viria em nossa mente se substituíssemos a palavra fotografia por Teologia, ou mesmo por vida cristã? E não se preocupe, pois te dou até um tempo pra você pensar...
O que quero deixar claro aqui é que já tentei perceber até se estou fora do esquadro, a sentir, a ver e notar – a ponto de lhe escrever – que a maioria das nossas caras, das nossas cores brasileiras que citei a pouco, não pintam nossa realidade como cristãos individuais e também como comunidade. Observe...

Cadê as cores minha gente ? Porque os templos não podem Ter arte, serem coloridos? Porque os artistas não podem fazer mais arte? Aonde estarão os artesãos? Só na feira Hippie? Porque não existem mais esculturas nas nossas comunidades? Medo de idolatria? Talvez a fuga do “mundo” e o tradicionalismo inconsciente (estas coisas estão até nas comunidades populares) já o seja.

Ö minha gente, desta terra mineira, desculpem a franqueza, mas esta terra não é inglesa, nem americana, esta é uma terra brasileira. Não concordo com Evans .Existe beleza no preto e branco, nos engessados até, nos racionais até, mas também nas cores, na emoção. E sendo assim, porque não misturar os dois em uma linda exposição?

Temos muitas cores... e tenho decidido a usá-las e me usar (afinal sou brasileiro uai!) Se não querem, não posso fazer muita coisa a não ser alertá-los... As Zebras são belas, mas a natureza não é composta só de Zebras. Temos os Tucanos, e as coloridas araras com suas matizes tão ricas como o nosso país: Brasil!

O Sr. Evans, pode sussurrar estas quatros palavras, porém o meu falar não é sussurrado. (Dizem até que o sussurro faz mal às pregas vocais) o meu é cantado, é rimado...

Ouçam-me brasileiros cristãos: saiam desta hipnose, desta dominação, desta tola escravidão. Que a música brasileira adentre as celebrações, que os instrumentos brasileiros sejam dignos de serem tocados ao Senhor e não somente nos salgueiros, nos becos ou mesmo ribeiros. Que a teologia para o Brasil seja desenvolvida com a nossa realidade, a nossas linguagens e para todas as nossas realidades! Que os cristãos brasileiros parem de imitar e atuar em suas celebrações comunitárias e que preto no branco seja nossa sinceridade, de que, como cristãos não deixarmos esta terra que é brasileira, ser jogada a cada dia de lado, no chão do descaso, tendo a desculpa de ser do “ mundão.”

E o tempo passou... Fiquei sabendo até que publicaram a minha crônica: É preto no branco.
Caminhando por minha cidade, comecei a ver coisas coloridas: ouço um hino sendo cantando e acompanhado por violas e violões... Vejo igrejas coloridas com belos quadros. Sinto o cheiro do frango com quiabo na cozinha da igreja que será distribuído aos pobres e às viúvas. Vejo pastores no dia de Sol, não vestidos com terno e gravata e em suas mãos um Manual de Teologia com algumas caras para o Brasil. Tudo é cores. Tudo é como tem de ser.

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